21 de Nov de 2009

Carnavais


Tocam os sinos na torre da Igreja, há rosmaninho e alecrim pelo chão, este louco que Deus o proteja, que consiga por fim integrar a procissão.
Será engenheiro, alfaiate, costureiro, se o não for, não terá perdão.
Que encontrem o corpo frio e recolhido, num gemido o prendam no chão.
Na caverna do triste Platão, subiu os degraus e reuniu, com a gente que passa a vida livre dentro da prisão.
Que riam os monges, os tolos em delírio, o rapaz encontrou a sua vocação.

E estão ali todos de novo, os quinze em volta do seu caixão, quem chora? O A, o B, o C, capricho italiano na abertura solene desta comemoração.
Tocam os sinos na torre da igreja, penso o menino, enquanto lhe pregam a tampa do caixão, tocam os sinos e ele e´ de novo menino, em passos pequenos com mãos dentro do blusão, tocam os sinos e o menino caminha, com as pontas dos dedos seguras no chão, tocam os sinos na cabeça do menino, enquanto lhe escolhem nova profissão.

Record of Julia


20 de Nov de 2009

Parabéns Mestre!

Que dance o Mestre com a Saphou, bebamos todos nesta mesa que colocamos aqui, bem no meio da epoca para este nosso festejo. Arlindo com o seu charuto, Zezeck de chapeu branco no joelho, Jorge C. à guitarra, PBL, JG, Privada, Blimunda, Mofina ergamos os copos ... ahhhh que boa é a vida assim, quando fazem anos os grandes.

Parabéns Mestre!



Es un pedazo del almaaaaaaaaaa
que se arranca sin piedad
Tu ru ru ru
Es un pedazo del alma
que se arranca sin piedad

19 de Nov de 2009

Privada na Serra II - ponto 1

Perguntam os leitores e bem:

- Então caro narrador, dizes que a Tia Júlia não usava cuecas e não urinava de pernas abertas directamente para o chão?!

É uma boa pergunta que podia desfazer já esta magnífica personagem, que é a Tia Júlia, e lançar sobre ela a imagem, de uma beata que cheirava mal na capela, porque limpava as partes baixas às rendas da combinação.
Mas é tambem uma pergunta, que revela um leitor irritante. A Tia Júlia cortava paninhos de lençóis rotos, dobrava-os dobradinhos e trazia-os dentro da sua saquinha plástica . Com eles limpava as partes baixas. Quando estavam sujos corava-os e se voltassem a ficar brancos, usava-os novamente como se de papel higiénico reciclado se tratasse. Tanto quanto o rapaz me garantiu.

Alias, que raio de leitores são vocês que se lembram que a Tia Júlia podia urinar para o chão e nem reparam nas músicas eruditas, que a Tia Júlia utilizava como mote para as suas encenações, essas sim bucólicas, de amor ao seu António?

Sabeis vos leitores, por puro acaso, que não foram poucas as vezes que a Tia Júlia encenou o seu próprio suicídio? Sim, seria difícil encenar o suicídio de outro, ou o homicídio do próprio. Mas fazia-o com frequência e com uma graça inigualável.

Certo dia, contou-me o rapaz e eu muito me ri com esta história, a Tia Júlia desceu o monte em prantos, com a face da mão esquerda sobre a testa, as saias presas na outra, em direcção ao rio, correu desalmadamente, sempre a gritar:

- Este homem, já não me ama, tem outra por sinal. Carolina acode que me mato aqui.

O único perigo era atravessar a estrada, mas a camioneta já tinha passado à uma da tarde , àquela hora no máximo poderia passar um carro de bois, e as prejudicadas seriam as vacas. Carolina não ligou, pensou que a Júlia ainda estivesse no monte.
Quando vai à janela, está a Tia Júlia a tirar as meias de lã, a coloca-las muito arranjadinhas dentro dos socos de pau.

- Júlia, que vais fazer? – Perguntou a Carolina.
- Vou-me matar, que o meu Antonho tem outra.
- E então porque tiras as meias?

E lá apareceu o António, a Júlia enfiada no rio até aos joelhos, a saia arregaçada.

- Tu tens outra que eu sei – Gritava ela, um olho aberto outro fechado.
- Anda embora Júlia que se faz noite, vais te constipar mulher, anda embora.
- Não vou, vou-me matar!
- Oh Júlia anda embora mulher, tenho o pote ao lume.
- Só queres saber do pote, e eu, eu ?

Na época não havia xanax, havia ropinois, mas isso era para os jovens, os velhos no máximo tratavam-se com chá de urtiga e aspirinas.

Privada na Serra II

A Tia Julia era bonita, casada com um homem mais novo 15 anos, o Ti António da “Saquinha”, carpinteiro de profissão, que seguia de manha para as outras aldeias e voltava à noitinha, com um cajado às costas e na ponta um pano amarrado com a merenda.

A Tia Júlia era uma mulher à frente do seu tempo, estava sempre deprimida e carente.

- Oh Carolina, o Antonho já não gosta de mim, vou-me matar. – Dizia quase todas tardes quando tomavam o chá de cidreira. O Ti António também era um homem moderno, cozia as batatas no pote e a chouriça, a Tia Júlia estava sempre doente. O Ti António ria e fazia a vida, como se ela não existisse.

Viviam no alto do monte e tinham uma amoreira.
Às vezes o rapaz ia levar broa à Tia Júlia, carquejas secas e cidreira. A Tia Júlia sentava-se no escano e ensinava-lhe tudo sobre mulheres.

- Sabes meu filho, as mulheres são muito mal tratadas nesta vida. A vida de uma mulher é muito triste, uma mulher nas mãos de um homem não vale nada.

O rapaz não entendia nada daquelas queixas, a única questão que o inquietava era a Tia Júlia dizer às amigas, que nunca haveria de usar cuecas porque causavam infecções.
O chão da casa era de terra, varrido com urzes pelo ti Antonio, claro, a casa feita nuns penedos naturais, mas muito bonita, caiada de branco com uma chaminé em tijolos pequenos. Parecia a da avó do Capuchinho.
A Tia Júlia tinha bypes. Pegava na mão do rapaz e puxava-o:
- Anda cá ver isto! – Eram abóboras que nasciam no chão, e cabaças penduradas.

O Rapaz perdia-se nas cores daquela horta. A Tia Júlia sentava-se no marco de pedra, com uma folha de vide na mão e cantarolava, sob o olhar atento do rapaz a medir-se pela altura dos feijões.

Veio um pastor lá da serra
À minha porta bateu
Veio me dar por notícia
Que a minha lira morreuuuuuuuuuuu

Fazia uma pausa, para retornar como se estivesse acompanhada por um coro de 20 alentejanos, daqueles que se embalavam em fila na televisão e soltava o refrão:


Morte que mataste lira
Mata-me a mim que sou teu
Mata-me com os mesmos ferros
Com que a lira morreu

Terminava de forma seca "morreu!". Depois, sem olhar o rapaz, afinava o tom, diminuía o volume, cobria o rosto de tristeza e magoa, encarava o horizonte e numa voz vinda do fundo do peito, porque era assim que se pensava o Ultramar, começava:

António estava absorto,
A ver o retrato dela,
Numa estenografia,
Quando aos pés lhe caiu
Um pombo morto,
Com um bilhete que dizia:

“Quebrei meu juramento, bem sei
Mas, não voltes mais à nossa terra
Esquece-te de mim,
Que já casei ,
Adeus, que sejas feliz aí na guerra”

António naquele momento,
Entre gritos de raiva e de dor,
Todo ele,
Envolto num pensamento,
Morreu a chamar por Leonor


E aqui o narrador tem que fazer uma pausa, está comovido. O som da Tia Júlia propaga-se agora pelo escritório, as palavras erguem-se sobre o fumo do tabaco, e os olhos do rapaz fixados naquela frase “esquece-te de mim que já casei, Adeus”- naquele adeus profundo que ecoava nas montanhas, uma pausa quase eterna, e o António que o rapaz via cair morto, no chão do aeroporto, sem saber qual era o pensamento. “Adeus sejas feliz aí na guerra” era uma frase marcante.
A Lira morria tiranamente por ser ingrata, mas o António estava feliz por regressar à pátria, de olhos brilhantes, e morre a chamar a Leonor? E o pombo morto? Havia de ser igual aquele da Avenida dos Aliados, com pés cor de laranja, seco e duro, nos amores perfeitos daqueles canteiros mágicos. Mas e o pensamento em que estava envolto, isso o rapaz não compreendia.
Uma coisa era certa, a Tia Julia dizia que a vida das mulheres era muito triste, mas só cantava musicas de mulheres ingratas e de homens que morrem ou querem morrer a chamar por elas. Estranha personagem esta e ainda agora a começamos a conhecer.

18 de Nov de 2009

Dos amigos I

Vi-a hoje, continua boazona. Na altura éramos amigos.
Eh pá, dava-lhe explicações, dicas do que saia nos testes. Ate ao dia em que, uma jovem Doutora resolve espetar com 10 valores num exercício de derivadas, coisa que não se praticava no tipo de análise pretendida, mas que fazia parte das bases do conhecimento de qualquer estudante, que se as tivesse chegava ao resultado pretendido.

É grupo, deu-me um tilte na tola, despendi o tempo a pensar e nada fazia sentido. Ela levantou-se e entregou o seu trabalho. Fiquei admirado, mas recomecei as minhas análises. A jovem Doutora, disse que o tempo terminou, era para entregar.
Está bem está, continuei. De repente chegam à sala 2 ou 3 colegas, a gritar :

- Ei que fazeis aí, a professora foi embora, pá.

E era verdade, tinha desaparecido, restava eu, o crânio da turma e o surfista, não havia mais ninguém. Que cena do diabo, então que merda era aquela. Saímos, subimos, descemos escadas, a professora tinha desaparecido. Metemos o exame no seu cacifo. Posteriormente informamo-la disso, convencemo-la que a sua atitude tinha sido anti- pedagógica e que devia aceitar os nossos exames ou então repeti-los, porque saiu da sala sem que qualquer um de nós tivesse percebido.

Ora e quem se pronunciou contra, exactamente a boazona, de forma tão reiterada que levamos Zero! O primeiro ZERO dado por aquela que na altura era umas das melhores amigas. E que beneficio ela obteve, um 2, julgo que por ter preenchido bem o cabeçalho. Aprendi alguma coisa com isso? Sim, a tentar fazer derivadas, ainda hoje sei tentar.

17 de Nov de 2009

Automatismos

Eh pá, aviso desde que já, que me podem insultar, compreendo, mas não posso deixar de vos transmitir a minha sensação. Ok, com certeza os miolos estão condicionadas por um cancro do lado esquerdo que me faz sentir um louco na maioria das vezes, e dai é que tenho estes flash, porque de facto não sou um gajo normal, e isso de não ser um gajo normal, não é normal e só pode ser doença, ou esquizofrenia.
Posso de facto ser esquizofrénico, conheço mais esquizofrénicos, mas raramente posso estar com eles, são raros momentos em que me sinto normal.

Ok, enquanto nao me internam no Conde Ferreira, vou dizer-vos a minha última sensação, pavorosa. Não, não foi aquela cena normal de falar e toda a gente pensar que snifei um kg de coca e estou avariado, ao que digo, sim snifei, porque se negar passo mesmo por louco e na nossa sociedade antes adicto que esquizofrénico, pelo menos como adicto, ninguém me enche de medicamentos. Toleram-me e riem, e fazem sinais com os olhos uns para os outros, do tipo, eh pá, o que a coca faz a um gajo.
Devem saber tanto de coca como eu.

Adiante, que esta cena, sinceramente ate tenho medo de partilhar, também vós ides dizer que sou doido, e depois acontece que quando me esqueço de alguma coisa, penso mesmo que enlouqueci. Cada vez que me esqueço de uma palavra passe, de imediato me agarro à tola, corro para o espelho, à procura de um sinal, um único sinal que me confirme que não enlouqueci. Antes dos 33 isso não me acontecia. Gostava de ser louco.

Agora não gosto nada, e por consequência só me sinto bem com algumas pessoas, eh pá, pessoas com as quais não me sinto um louco. As outras começo a distingui-las pela cara. E aí começa de novo a ideia de que se cheguei a esse ponto, já enlouqueci.
É obra, um gajo andar sempre à procura de coisas que lhe comprovem que não é louco, os livros, mas depois de os ler, um tipo pensa, fogo mas isto só me está a incentivar a ser louco, em vez de curar esta doença.

Estou com este paleio todo, porque na verdade, estou cheio de medo de revelar o que pensei, o que me assustou, o que me vidrou, porque não tenho a certeza se pensei aquilo, que não é primeira vez que o penso, porque já estou louco.
Conheci loucos, mas com atrasos mentais visíveis e deformações, não as tenho cá fora, está bem tenho aqui umas costelas fora do sítio, mas foi um acidente, não tenho aqueles registos físicos, que fazem tolerar os loucos, se os tivesse ao menos ficava descansado, era louco, louco e pronto, um deficiente. Assim, sem nada, tenho que inventar a ganza, para poder dizer o que penso, nessa altura todos pensam que me inspirei e não sou louco, mas graças à ganza estou a ver qualquer coisa, que eles não vêem.

Eh pá sinceramente não tenho coragem de vos dizer, que no Mar Shopping tive um flash incrível, não tenho, porque esse flash envolve pessoas e essas pessoas pá, são aqui vizinhas do Porto e não queria dizer isto sobre elas, mas a sério que parecem robot´s, mas também, vocês não vão ler até aqui ficam pela cena da loucura. Esta parte é só para esquizofrénicos.

Oh pá malta, vocês não estão a ver, a sério, elas movimentam-se coordenadamente, tem os cabelos perfeitamente alinhados, e quando se cruzam olham com um olhar fixo, sobem as escadas rolantes sem dar um passo, deslizam.
São famílias tipo perfeitas, pai, mãe, filhos, andam em grupo, ficam estagnadas em frente aos parques infantis, abanam a cabeça com a musica do Nody.
A roupa deles é perfeitamente engomada, as mulheres usam roupas com destaques femininos e meias de Lycra, muitas meias de Lycra, vivem num mundo perfeito, parece que nada os atormenta.

Depois chegam os Espanhóis, barulhentos, todos peleirosos, cabelo para a frente para trás. E a nossa malta de Matosinhos, Maia, imperturbável, a sério, olham fixamente. São Robot´s pá. A sério, não há um único pensamento naquelas cabecinhas, e são exteriormente perfeitos, famílias automatizadas.
Malta, vocês não estão a ver, pegam nos tabuleiros, as caras modelarmente pintadas, não tem olheiras, e sentam-se e comem, e não tem um único pensamento que as perturbe. Tem uma casa, um peguot, dois filhos, um emprego são felizes, parecem felizes e calmos. Morro de medo deles, não os entendo, como? Como é possível, dom dom dom, seguem a toque de qualquer coisa, todos para o mesmo lugar e voltam, e vão sem que nada os perturbe, nem um único pensamento, mas tenho uma certeza, não são deste século, chego a imaginar o dia em que lhe colocaram um chip. E desconfio dos promotores imobiliários, mas o mais certo é ter sido a televisão.
Ok, mas ouçam, tenho a perfeita noção de que posso estar louco, e sei que se lerem isto vão pensar de mim que sou louco, e serei, pronto, mas tinha tanta esperança que assim não fosse e que ao menos na blogoesfera alguem tivesse constatado o mesmo que eu, e eu não estivesse louco, mas tambem entendo perfeitamente que voces não queiram passar por loucos, muito menos em publico, entendo, embora que não é necessario terem-se em tão boa conta, isto tem uma media de 6 leitores.

15 de Nov de 2009

Privadinha na Serra

Era pequeno, meia leca de gente, num tempo em que havia liberdade para as crianças descobrirem sozinhas o mundo, desde que ao anoitecer estivessem em casa para jantar. Escolhia ir aborrecer os pastores e os agricultores, com as botas ortopedicas, que eles acham boas para a lavoura:
- Ouve la rapaz, no Porto podes andar com as botas assim, mas aqui tens que as encerar, da-as cá que eu ponho-lhe cebo.
- Não, que a minha mãe bate-me.
- A tua mãe bate-te?
- Bate, as botas são caras e não posso estragar, o Dr. Júlio de Santa Catarina diz que nunca as posso tirar, se não fico tipo o Charlot.
- Vais dizer a esse Dr. Júlio que ele é burro. Se puser o cebo não entra a chuva, da-me cá as botas.
O rapaz tirava as botas.
- Oh rapaz isso são meias? Tens que usar umas de lã, se não as botas aleijam-te.
- De lã?
- Vou dizer a tia Joaquina para te fazer umas, essas são muito finas.
A tia Joaquina fez-lhe as meias com a lã das ovelhas, como não cabiam nas botas, deram sacos para berlindes. O Ti Horácio comia o cebo que punha nas botas com pão duro, as botas ficaram escuras.
Para o Ti Horácio, o amor de perdição era inspirado em factos verídicos ocorridos na aldeia vizinha, o Romeu e a Julieta eram de Lisboa, e chegava a chorar a contar as historias.
O Ti Reis era agricultor e pastor também, mas pastor que metia o gado na corte, o Ti Horácio deixava o gado `a deriva. O Ti Reis já tinha sido atingido por dois relâmpagos, um dos raios saiu-lhe na ponta do dedo. O rapaz espreitava o Ti Reis , se um raio o tinha atingido, podia ser o super-homem, o homem aranha, ou ate o Hi-man, os super heróis nunca revelavam o que eram. E um dia o Ti Reis bloqueou o caminho a um boi enfurecido, usando as palavras magicas - Uh Uh Ei Boi! - foi estupendo.
O rapaz achava que a magia estava na capa de burel, um dia pediu ao Ti Reis que a pusesse sobre os seus ombros pequenos, caiu logo para o lado, ainda se segurou por uns instantes, mas a força da capa era de tal maneira potente, que o rapaz tombou, perante a gargalhada daquelas bocas semi-desdentadas.
Aqueles dois homens sabiam contar castanhas, arrobas, kg, e mal sabiam ler. Um dia ofereceram-lhe um duende invisível, seu protector, dentro de um cesto de choteiros, o tio Jorge fritou os choteiros.
- Duende que duende, tu é que me saiste um duende, um duende tripeiro e burro. Vais ver nunca comeste nada assim - e obrigou o rapaz a comer a floresta do duende. Mas o duende era esperto e avariou a Famel do Ti Jorge que ficou a penantes vários dias, porque o Zé sucateiro não tinha tempo para as Famel, agora dava prioridade aos mini´s.
O rapaz apreendeu filosofia com aqueles dois velhos, claro que eram tudo filosofias copiadas dos grandes livros, mas isso, só descobriu anos mais tarde e quando descobriu já os velhos tinham morrido e nunca mais viu pastores que soubessem Nietzsche e conhecessem o Sócrates que vivia no antigo castro sozinho, e cujo espírito vagueava pelos ares, de árvore em árvore, quando se ouvisse o vento soprar: - Uhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!
Se não fossem os velhos, o rapaz não saberia que o seu cócó fumegava, descobriu-o, quando lhe mandaram arrear as calças no mato e limpar o rabo a uma folha de vide. O rapaz demorou muito, ficou pasmado, como era possível, provavelmente tinha levado com um raio e não sabia, o cócó fumegava e saia do rabo tipo aqueles bolos com fruta melada do Progresso.
A Ti Joaquina também morreu, fazia-lhe sempre umas meias para dormir quentinho e quando passava as ferias de inverno na serra calçava as galochas, com aquela lã da ovelha "braquinha" e andava quentinho.
A Ti Joaquina dormia só com cobertores da serra que tiravam a humidade do corpo, e sabia onde as raposas tinham raposinhos, no corgo. E um dia foram la ver , mas as raposas tinham um poder, arrepiavam os humanos, o rapaz estremeceu, a raposa tinha os dentes como aqueles cães que agora se usam, os Pinche. Havia uma raposa seca, tipo estátua, na prateleira do café do tio da Loja, `a noite a raposa conversava com o Gavião, mas de manha estavam os dois no mesmo lugar, como se nada tivesse acontecido.

O rapaz falava pouco, fazia perguntas e depois ficava com eles em silencio a ver as nuvens no Geres. Tinha sempre a sensação de estar a ser espiado, passava meias horas `a espera que os sardoes saíssem das pedras e ele pudesse seguir caminhos. O mesmo acontecia com as vacas, mas essas falavam muito, a cada 5 minutos, perguntavam-lhe que fazia ali escondido atrás do muro. Quando ganhava coragem corria, e elas viravam a cara e diziam a mesma coisa, ou outra, porque a linguagem delas, era monocórdica, muuuuuu. Mas esse muuu tinha muitos significados.
Quando chegava, cansado, eles davam-lhe uma murraça nas costas :
- Olha o fivelas, no Porto matam-te de fome rapaz, tu assim não podes com um cesto de vinho.
Não podia com o cesto, mas podia com o balde da praia, cheio de vagos de uva que a D. Ermelinda rejeitava
- Deita na estrumeira, esses não prestam. - Quando prestavam, subia orgulhoso a escada do lagar e pimba. Um dia deixaram-no pisar as uvas, mas elas ficaram muito chateadas, faziam - Gru Gru - muito tristes, e de noite o rapaz não dormiu com a comichão e com a pena das uvinhas.
Um dia bebeu vinho doce, a mãe nunca soube.
- Tu nunca aceites papas de vinho, tu não tens que sair de casa, tens os livros, os brinquedos, a televisão, nao tens que sair. - Mas ele saia e comia na casa deles, e comia em casa outra vez para que ninguém desconfiasse. Eles pediam-lhe para cantar os passarinhos e o chiquelete, e no fim riam.

- Oh caralho vos no Porto não sabeis falar, abris a boca demais para o "A" - e riam. O rapaz tinha ritmo e ria com eles. Alias que me lembre, a mim, que sou o narrador, o rapaz dizia pouco, ria muito, e cantava. O Patcholy era um sucesso.

- Ora diz la a moda do Patcholy - Enquanto bebiam os 3/4 e comiam coiratos salgados. Falavam do Camões, sabiam 3 ou 4 versos, e do dr. Salazar, um homem que criava ódios e paixões, que acabavam ao soco e `a bastonada, na tasca do Ti da Loja casado com a Ti Cármen, espanhola, de unhas grandes vermelhas cheias de carvão, as mesmas com que segurava o leque rendado e servia os Bijus. Quando enlouqueceu dançava flamengo com um xaile como o da Amália e na varanda do piso alto gritava:
- Ai excomungado Portugal, maldito Portugal, que acabaste com a minha vida.
-A avo dizia-lhe que Tia Carmen gritava mal, a musica não era sobre Portugal, mas sobre a cocaína, que tinha morto o amante de não sei quem, que tocava na grafonola, que o Ti Capador tinha trazido do Brasil, junto com a moda de cortar o cabelo tipo penico e arte de capar porcos.

13 de Nov de 2009

Fui roubar isto, ao transmontano do Bloguex, só para moer a cabeça à Blimunda - erros no Caim Bahhh

Pois é, aqui vai um excerto gamado ao La do Bloguex, que por sua vez o arranjou aqui.
A Saphou vai abençoar-se e Funes ficará perdoado por não usar 3 i´s na palavra Ministério, JG vai adorar as descrições e eu bato na mesma tecla, Caim é uma espécie de moral, que já vem dos gregos, não tem nada a ver com orgasmos pá!

A conjugação verbal da segunda pessoa do plural é tão vulgar no Norte do País e em Trás-os-Montes, que toda a gente a sabe utilizar de olhos fechados. Ao invés, no romance Caim, as misturadas são frequentes. Do mesmo modo, o descaso votado à dife­renciação de tempos verbais não é despicienda. Apenas um exemplo dos muitos que poderiam ser dados “[Eva] ia, como alguém dirá, decentezinha, embora não pudesse evitar que os seios, sol­tos, sem amparo, se movessem ao ritmo dos passos. Não podia impedi-los, nem em tal pensou (pensara, tinha ou havia pensado), pp. 26.
No tocante à conjugação verbal da segunda pessoa do plural, analisemos ape­nas algumas em que o autor se ensa­rilha e ninguém dos seus acólitos lhe acu­diu: “(…) Depois é convosco, aí já não posso nada, arranjem (arranjai) maneira de se juntarem (vos juntardes) à caravana, peçam (pedi) que os con­tratem (vos contratem) só pela comida, estou conven­cido de que quatro braços por um prato de lentilhas será bom negócio para todos, tanto para a parte con­tratada, quando isso acontecer não se esqueçam (vos esqueçais) de apagar a fogueira, assim saberei que já se foram (vos fostes) (…)”, pp. 31.

12 de Nov de 2009

Fraquezas

Superficialmente eu parecia estar sem o racional, embora tivesse compreendido que a morte é irreversível. Havia um único trompete soando nas alturas, um padre católico , outro episcopal. Quintana leu Hitchcock. Fiz tudo conforme o ritual, tudo, mas mesmo assim...
Informação significa controle, leia, pesquise, leia sobre o assunto em todos os momentos que lhe forem difíceis. No ballet clássico há momentos em que o amante que perde o amado, o procura. Há poemas. Leia.
Eu fiquei a saber de coisas que já sabia, mas eram um conforto.
Os humanos perante esta situação perdem nos negócios, vão para o aeroporto sem bilhete de identidade, perdem capacidades cognitivas.
"O Ano do pensamento mágico" Joan Didion

...

Portugal tem de adaptar políticas laborais para defender os trabalhadores e não os postos de trabalho que já estão condenados.

Pois claro, o problema está que Portugal não distingue entre uma coisa e outra. Hello?!

Once upon a time
Not so long ago
Tommy used to work on the docks
Union's been on strike
He's down on his luck...it's tough, so tough
Gina works the diner all day
Working for her man, she brings home her pay
For love - for love

"A sensação de que se estiveres só, alguem pode voltar"

Eunice Munoz é uma referência na identidade nacional, uma fonte de comparação e de objectivos a atingir, que submerge qualquer central de balanços que se disponibilize. Hoje estreia no Teatro Nacional D. Maria II, com o monologo de Joan Didion, " O ano do pensamento mágico", como se lhe fosse possível morrer depois da peça, o que é incomum na realidade humana.

É também nestes momentos que me zango com o Porto, dou-lhe dois pontapés, dois chutos, dois estalos, mas claro, depois fico com remorsos, afinal é o meu Porto, mas caramba...

Espero que a Eunice fale do cachecol, é interessante como um cachecol pendurado na cadeira, ou na cabeceira da cama é uma das coisas mais impressionantes nessas ocasiões, o do FCP por exemplo, pode ser o maior tesouro da memória primeira de uma vida já passada.

Às vezes conduzo por toda a área metropolitana a dormir, chego a casa e deito-me, sem disso ter qualquer percepção. Aconteceu mais uma vez ontem, depois de saber desta peça, de me lembrar de Eunice, do cachecol, do "Pensamento mágico" e do Porto, do Porto que me conduziu ontem ao leito, suspenso nos seus braços, sem trepidações, sem sonhos maus, o Porto que me traz sempre em segurança, quando adormeço ao volante e imagino que estou a sorrir.

11 de Nov de 2009

Despertar

Há momentos em que se sente um louco perdido, sentado à beira de um rio, no topo dos cornos das alturas, a mirar vales que giram em torno da sua cabeça, como se ele próprio fosse o cume e o céu um magnifico prado, com pequenos muros de pedra tosca cobertos de musgo. E eis que alguém ao fundo grita:
- Venha conferir o nível, verifique, está desaprumado, ou a madeira inchou ou o soalho não está bem pregado.

10 de Nov de 2009

João César das Neves: "Quem perdeu a década?"

«Não se pensa em produzir como rico, mas em consumir como rico. (...) Só não há defesa do trabalho, empresa, produtor, desenvolvimento. Impomos muitas reivindicações, poucas realizações. O que mais choca na vida nacional é o alheamento político desta realidade, a irresponsabilidade de discursos e programas governamentais.
Alterar a situação implicaria enfrentar os grupos de pressão, (...) Significava pôr os serviços públicos a servir as populações, não a seguir procedimentos.
Exigiria reduzir os bloqueios à flexibilidade das empresas e criar um quadro regulamentar leve e eficaz, desmantelando miríades de exigências que, servindo múltiplos interesses e causas particulares, sufocam o dinamismo produtivo e atrasam a reestruturação. (...)»

9 de Nov de 2009

E depois do falhanço do muro

O nosso progresso financeiro parecia condicionado enquanto revendedores de cassetes pirata dos Guns N`Roses, estávamos numa verdadeira crise. Ramone lembrou-se da possibilidade de promovermos as cassetes com um concerto ao vivo.
Mas como convencer alguém a ouvir-nos?

Foi então que nos ocorreu a proximidade dos festejos de Natal. As meninas tinham proposto à directora de turma uma passagem de modelos hippies, e vestidos de noiva das cotas. Nós, que no ano transacto tínhamos levado a cena o amor de perdição, porque o Artur tinha encaixado na cabeça, que com isso conquistava a Anabela, 2 anos mais velha e mamuda, resolvemos propor um novo teatro, uma encenação do Auto da Barca, já era muito visto, mas prometíamos uma cena em grande, com o Ramone a fazer de Brígida.

Foi aprovado, montamos o elenco, distribuímos guiões e ensaiamos, com a professora presente, encantada, tínhamos música de fundo e tudo. Entretanto no sótão ensaiávamos um espectáculo paralelo, o nosso magnífico concerto promocional, Guns N Roses.

No grande dia, lá estávamos nós, nos arrumos do Ginásio, a professora encantada com o nosso talento, as meninas tinham acabado de desfilar e tal como havíamos combinado, em vez de se arrumarem, deviam colar-se na primeira fila do palco e aplaudir-nos com intensidade, elas e os outros membros da turma, mesmo os que não queriam, eram impulsionados pela professora a ver o teatro dos colegas. Subimos ao palco, tiramos as batinas e em segundos estávamos prontos, eu com os calções de ciclista, o lenço dos porfirios na testa, Ramone de calças elásticas pretas e o Artur todo esfarrapado em frente à barca que mais não era que o caixote com uma pretensa bateria, pegamos nas vassouras que tínhamos impingido à Brígida e a outros diabretes, e quando a cortina se abriu, lá estávamos nós e o Bispo , e os directores ao fundo. Essa do Bispo correu mal, não sabíamos que a Igreja iria estar presente.

Mas era tarde, o puto do playback reagiu ao sinal, o som de Nigth Train começou a difundir-se, nós aos saltos e berros pelo palco, tudo estagno, parado, atrofiado, e as meninas de braços no ar, a tentarem apanhar-nos os calcantes, que se diga estavam dentro de umas Aviã por cima do tornozelo, com umas meias do Benfica, as unicas grossas e vermelhas como se impunha.

O nosso pormenor era tanto, que ao fim da musica apresentamos a banda, e mandamos umas pastilhas elásticas à plateia– Fuck You! – gritávamos. Foi lindo. Findamos com o Don´t Cry. Ramone seguro no meu ombro, ria com aquela cabeleira à Olex, enquanto descíamos a escada improvisada do palco, a meio uma mão forte e lesta apanhou-nos pelo pescoço, era o Mestre Teles , saímos em apoteose máxima, directos ao executivo.

A setença ditava que seriamos expulsos para depois das férias, começaríamos o 2º período com uma 1 semana de atraso. Artur já chorava a vida de estrela do rock, amaldiçoava-nos, negando qualquer envolvimento. Ramone fazia planos de como sacar a carta de notificação ao velhote e dava cotoveladas no Artur. Eu discordava da medida, dizendo mas, mas, enquanto o Mestre gritava - O Bispo, perante o Bispo! Desta vez...

O que é certo é que provavelmente o Bispo gostou da nossa actuação, caiu uma puta de uma nevada, não houve aulas para ninguém.
Quanto às cassetes, bem começamos a gravar o Nevermind, vendíamos mais um bocadinho, mas nessa fase, já éramos os intocáveis.

O divorcio oculto

- Vou divorciar-me.
- A sério? Lamento muito pá, e então como reagiu a família?
- Ainda não lhe disse.
- Ah é?
- Vou deixar passar o Natal, lá para Janeiro ponho os pontos nos ís...
- Tou a ver, é como se o Natal fosse período de eleições.
- Eleições?
- Sim, não queres queimar os putos, antes de lhe dares as prendas.
- Foda-se oh Privada...
- Então, é normal que faças assim, é próprio da nossa conduta e mentalidade.
- Mentalidade o quê?! Quero passar o Natal com eles, um Natal em grande, pode ser o ultimo, depois logo se vê.
- Yeah meu, fazes bem, acho que realmente ficava foleiro falares de divorcio antes do Natal.
- Era um choque para todos.
- Pois, eles, coitados, não devem fazer uma pequena ideia, que as coisas estão más. Olha, agora que me lembro, mudei de numero de telemóvel, nem o tenho aqui, eu depois mando-te um SMS com o novo numero, ok?!
- Ok, a gente vai-se vendo.
- Não vai nada! Eu vou viajar até Janeiro, Fevereiro, ainda não sei bem.
- Ok
- Xau
- Xau...

O muro


O Ramones era o rapaz das soluções financeiras. Daquela vez teve a magnifica ideia de passar a cassetes os GunsRoses e vende-las à malta. O problema é que o aparelho que lia CD´s não gravava cassetes e o produto final era um Axel, a vomitar mais do que o costume. Havia por isso que locatar um equipamento que nos permitisse um produto final aceitável.

Depois da habitual prospecção de mercado, verificamos que só o Heitor dispunha de equipamento à altura, propusemos-lhe o negócio. Heitor era fã do Nel Monteiro e Jorge Ferreira, não tinha estreado o leitor de Cd´s e tinha medo que ao colocar um Cd dos Guns avariasse.

Não havia outra solução, se não fazer um Leasing forçado ao Heitor. E assim foi, entramos para o palheiro onde era o seu quarto e começamos a servir-nos. Íamos na 3ª cassete quando entrou o pai de Heitor, espetou dois carolos no Ramones e mando-o desfardar a palha, que já era tarefa de sábado. Eu e o Artur piramo-nos com as cassetes, pela porta das traseiras, onde apareceu o Heitor, que do nada começou a insultar-nos, e a levantar os braços pronto a assestar connosco no lameiro, como de resto era seu costume, usássemos ou não a sua aparelhagem.

Corremos de lameiro em lameiro, de bouça em bouça, escapamos-nos por uma brecha do muro da Chã para o corgo e, o Heitor desistiu. As cassetes ficaram boas e o Ramones lá foi ter ao fim do dia. Vendemo-las a um preço económico, o que não deu nada, a dividir por 3.

Tinham passado os dias e nós sem negócio, sem guito e com o Use You Ilusion 1 na aparelhagem do Heitor, que se negava a devolve-lo, e não tínhamos guito para comprar, ao menos, uma das cassetes que vendemos.

Íamos tentar convencer o Heitor ameaçando-o com a ira do nosso velhote, quando o Ti Marcolino nos pegou pelo lóbulo das orelhas, içou-nos do chão, e garantindo que tinha testemunhas, nos arrastou para repor as pedras do muro da Chã, que supostamente tínhamos abalroado na nossa missiva.

- Que pedras Ti Marcolino, não fomos nós, foram os caçadores, já estava quando passamos.
- Fosteis vós, fosteis vagabundos! e agora ides lá pôr tudo direitinho, como manda a sapatilha.
- Não fomos nós!
- Andem lá que o Heitor bem vos viu a tirar as pedras da portela, andai que é para não mexerem no que está quieto. O muro fazia-vos cocegas?! Na minha frente já!
O Ramones tem um hoje um stand de automóveis em Barcelos. O Ti Marcolino já morreu, e o Heitor, o capitalista, tem um Turina e continua fã do Jorge Ferreira. Nós, enfim, continuamos a trabalhar com calhaus.

7 de Nov de 2009

No clube de vídeo...

- Desculpe, tem o Che?
- Sim, o 2. - Diz o homem com alegria.
- E o 1?
- O 1 era uma seca.
- Uma seca?
- Sim, não valia a pena.
- Ah ok, por exemplo do Prision Break o senhor só tem os episódios emocionantes?
- Não, tenho a serie toda, varias.
- Então nenhum dos episódios é uma seca?
- ... - O gaijo a pensar que somos maricas feministas.

- Já viste isto pá, fantástico, montávamos uma livraria e só tínhamos livros com paginas emocionantes. Pode ser negocio, a cultura de esquerda aderia na hora.
- Sim vendíamos resumos. O senhor não pode contar o Che 1, o que aconteceu?
- Parado, muito parado, ninguém .
- Ok vamos levar o Che 2 - o emocionante.

...

Caro Amil


Devo dizer-te que estavas completamente errado, quanto a uma ou duas cervejas favorecerem as tarefas domesticas. bebi mais do isso, os pink floyd tocam pela segunda vez e a única coisa que fiz, foi arrumar as garrafas.

Mas olha para cantar afinado, dão um efeito do diabo, don't give in without a fight, tum, tum tum tum! uhhhhhhhhh E é noite, é o meu dia de fazer o tacho, tou feito.
Blue skies, can you feel, do you think you can telllllllllllllllllllll.
Year after year, the same old fears.
Tu ru tutu

"Filhos das trevas" Ninguem Pia



- Há alguma razão para isso? Em geral a pederastia é um habito difícil de destruir.
- Sim, quando é uma experiência normal. Mas é preciso não esquecer que o scugnizzo não é um delinquente normal. (...) Compreende que entregar-se a outro rapaz é colocar-se sob o seu poder.

West, Morris , "Filhos das Trevas", 1957


- Ainda que a pederastia não seja crime, desviar crianças do seu percurso natural, continua a se-lo. Porque queremos resolver esta questão, sem dar fim ao processo Casa Pia? Não será perigoso? Culturalmente perigoso para os valores que pretendemos transmitir?

- Creio que sim Privada, confronta-se o povo com uma nova realidade prosaica, mas teme-se confrontar o povo com a verdadeira.

- Sim, choca-se o povo pela positiva.