27/09/2010

A obrigação …


é minha obrigação vestir o fato, que já não suporto, nem visto.
É minha obrigação, manter o estatuto, é minha obrigação dar o exemplo, continuar, procurar…

Ah é minha obrigação não deixar escoar a cabeça, é minha obrigação aparecer ao publico na condição daquilo que sou, pensar antes de falar, ponderar, não interromper.
Quase chorar ao perceber que não me lembro da formuyla base do calculo de juros, nem sequer onde guardei os livros.

É minha obrigação estar sempre altivo, com os cabelos aprumados, e eu já só aguento uns ténis velhos confortáveis. Aquilo é uma pessoa educada? Como pode, aquele maltrapilho? Ate eu que tenho a 4ª classe engomo a roupa antes de a vestir.

- Usar conceitos e não noções, Senhor Privada! Conceitos e não noções! Pesquise, saiba, procure, continue, insista, refira as suas fontes.

Deveria ter pensado nisso.
Às vezes desejo falar sem o peso de saber que alguém já o disse, encher-me de certezas como os alarves, eu penso isto, eu penso isto, e não saber que antes de mim tantos o pensaram.

Criei esta personagem, para me aliviar, para criar um novo estatuto, esqueci as minhas obrigações, perdi o jogo, queria perde-lo, só pelo gosto da angustia.

Não, a verdade é que o que acabei de dizer, é mentira.

É minha obrigação auto-responsabilizar-me, é minha obrigação, deixar-me cair como uma estatua, no mar, e aí ficar para sempre esquecida.

Gostam da frase, da ideia da estatua levantada num mar que a cobre?
Pois eu poderia ter a ideia, mas é minha obrigação dizer-vos que depois de ter a ideia, logo outra me ocorria, foi Bazac Privada, foi o Balzac que escreveu isso.

Foi? Merda, sou um inútil, sou um perfeito inútil, nenhuma ideia que tenho é minha, e quanto mais leio, e quanto mais procuro, mais me entristeço, nenhuma ideia é verdadeiramente minha.

Há que admitir, que há ideias que só à minha vida correspondem, mas essas não são claras, não tenho coragem para assumi-las, não há ciência por detrás delas, em consequência procuro incessantemente nos livros, alguma ideia que confirme a minha.
Mas tambem nisso, há uma certeza, não é normal, há um qualquer parafuso desapertado, é TUA OBRIGAÇÂO, descobri-lo, pesquisa, insiste, segue, refere as tuas fontes, e sintetiza.

Compreendes agora Privada, porque neste tempo ninguém arrisca a ter ideias?
As ideias tem que ser conceitos, e os conceitos Privada, para que não falhem, tem que constar dos livros.

Não sou nada, sou meia dúzia de livros lidos e outros tantos pesquisados.
A ciencia diz o que deves fazer e sobre isso não há duvidas, mas a ciencia nada diz sobre as razões porque não o fazes.

5 comments:

mac disse...

Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
O sol doira
Sem literatura.
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.


Fui eu que o escrevi nesta caixinha, privada. Portanto é tanto meu, que o coloquei aqui, como dele, que o imaginou, como teu, a quem o ofereço.

E ma'i nada!

Mofina disse...

Mac, já não morremos hoje!

Mofina disse...

Privada, a ciência não o diz, mas o farmville existe. E eu que o diga...

mac disse...

Ai meu Deus, ai meu Deus, ai meu Deus!
Este silêncio faz-me mal, batatas.

Blimunda disse...

Que se passa camarada? Onde andas tu? Não me digas que houve ordem de reunir no Terreiro do Paço ou no Marquês e não me disseram nada.