Hoje, sim hoje, faço anos, eu e estes 3 aqui em fila, atrás de mim.
Podia perfeitamente começar o meu dia de anos a distribuir chapadas. Uma, duas, três. Como se faz o som de uma chapada num escrito?
Depois sentávamos os 4 a rir, como quem acaba de bater palmas.
Meus queridos amigos, numa época em que estão em voga, as confissões e atestados pessoais de verdade, hoje é o dia em que me devo perguntar se vocês existem, ou se fui eu que vos inventei.
Supostamente hoje estaríamos aqui a fazer, o que fizemos exactamente há um ano atrás, a comemorar o meu aniversário. Mas essa mesma comemoração, há um ano atrás, ditava o fim do meu tempo.
Pois, hoje é o dia da verdade, o dia em que vos confesso, e aguentem-se como puderem, que eu morri há um ano, apenas programei o bloguer. Há um ano meus amigos, que estou morto.
Como poderei explicar então os comentários em tempo real nos vossos espaços?
Vocês é que insistiram, e continuaram a dar-me vida. Não tenho eu obrigação de decifrar a vossa verdade, seria cobarde ao faze-lo, a verdade é um contexto, e o nosso, não permite grandes conclusões.
Mas não se dilacerem. Então os jantares, os almoços, os risos foram partilhados com um fantasma? Ora, nada nos garante, que a morte não tem corpo, riso e raciocínio.
A minha verdade e que só a mim compete decifrar, vocês acreditam se quiserem, é que eu já morri. Não se riam, embora eu tenha uma inesgotável vontade de rir, não é por vos ter enganado que me rio, é que com os amigos rimos sempre, ainda que os universos não sejam os mesmos.
Morri e morri bem. Como morri, não sei, apenas vos garanto que o meu corpo estava lá estendido e eu não conseguia parar de rir. Ás vezes olhava-me de esguelha, e desatávamos os dois a rir, disfarçadamente. Tínhamos que manter a teatralidade. Para a maioria das almas seria drástico verificar que o morto, alem de se propagar em 3 dimensões, também apresentava movimento.
E tenho-vos acompanhado, numa hilariante troca de dados, que nem chegais a perceber. E rio-me, rio, rio, e isso, é que me faz questionar, raio de defeito, nem depois de morto, deixo de rir, um morto com pouco siso é uma coisa perigosa.
Garanto-vos que não há qualquer diferença. Tenho me dado ao luxo, de implicar o meu corpo, cérebro e alma contra as barreiras, com toda a força que consigo, como estou morto, não causo grandes danos, mas ainda assim, aquela coragem de me atirar porque sei que não morro, é uma cena fenomenal.
Espero que não cortem o convívio comigo, agora que sabem que não existo, que não se deixem afectar por esse pormenor da tangibilidade, não desenvolvam complexos, agora que falam e comem com os mortos.
Que interesse tem isso, se serei sempre vosso amigo.
Podia perfeitamente começar o meu dia de anos a distribuir chapadas. Uma, duas, três. Como se faz o som de uma chapada num escrito?
Depois sentávamos os 4 a rir, como quem acaba de bater palmas.
Meus queridos amigos, numa época em que estão em voga, as confissões e atestados pessoais de verdade, hoje é o dia em que me devo perguntar se vocês existem, ou se fui eu que vos inventei.
Supostamente hoje estaríamos aqui a fazer, o que fizemos exactamente há um ano atrás, a comemorar o meu aniversário. Mas essa mesma comemoração, há um ano atrás, ditava o fim do meu tempo.
Pois, hoje é o dia da verdade, o dia em que vos confesso, e aguentem-se como puderem, que eu morri há um ano, apenas programei o bloguer. Há um ano meus amigos, que estou morto.
Como poderei explicar então os comentários em tempo real nos vossos espaços?
Vocês é que insistiram, e continuaram a dar-me vida. Não tenho eu obrigação de decifrar a vossa verdade, seria cobarde ao faze-lo, a verdade é um contexto, e o nosso, não permite grandes conclusões.
Mas não se dilacerem. Então os jantares, os almoços, os risos foram partilhados com um fantasma? Ora, nada nos garante, que a morte não tem corpo, riso e raciocínio.
A minha verdade e que só a mim compete decifrar, vocês acreditam se quiserem, é que eu já morri. Não se riam, embora eu tenha uma inesgotável vontade de rir, não é por vos ter enganado que me rio, é que com os amigos rimos sempre, ainda que os universos não sejam os mesmos.
Morri e morri bem. Como morri, não sei, apenas vos garanto que o meu corpo estava lá estendido e eu não conseguia parar de rir. Ás vezes olhava-me de esguelha, e desatávamos os dois a rir, disfarçadamente. Tínhamos que manter a teatralidade. Para a maioria das almas seria drástico verificar que o morto, alem de se propagar em 3 dimensões, também apresentava movimento.
E tenho-vos acompanhado, numa hilariante troca de dados, que nem chegais a perceber. E rio-me, rio, rio, e isso, é que me faz questionar, raio de defeito, nem depois de morto, deixo de rir, um morto com pouco siso é uma coisa perigosa.
Garanto-vos que não há qualquer diferença. Tenho me dado ao luxo, de implicar o meu corpo, cérebro e alma contra as barreiras, com toda a força que consigo, como estou morto, não causo grandes danos, mas ainda assim, aquela coragem de me atirar porque sei que não morro, é uma cena fenomenal.
Espero que não cortem o convívio comigo, agora que sabem que não existo, que não se deixem afectar por esse pormenor da tangibilidade, não desenvolvam complexos, agora que falam e comem com os mortos.
Que interesse tem isso, se serei sempre vosso amigo.
12 comments:
Espantoso! Foi-se um Saramago mas ficou um bom discípulo.
Então, tá! Continuemos esta tertúlia de morte.
Parvo — Hou daquesta!
Diabo — Quem é?
Parvo — Eu soo. É esta a naviarra nossa?
Diabo — De quem?
Parvo — Dos tolos.
Diabo — Vossa. Entra!
Parvo — De pulo ou de voo? Hou! Pesar de meu avô!
Soma, vim adoecer e fui má hora morrer, e nela, para mi só.
Diabo — De que morreste?
Parvo — De quê? Samicas de caganeira.
Diabo — De quê?
Parvo — De caga merdeira!
Má rabugem que te dê!
Unforgettable!
Quessedizer o gajo faz anos mas não se chega à frente...
Sovina, pá.
A tua sorte é eu gramar-te aos montes.
PARABÉNS!!!!!!!
Agora, estraga-te!
Parabéns!
E apesar da revelação muito ligeiramente preocupante e perturbadora não me deixarei afectar pelo aludido pormenor!
(e neste momento até me pergunto se também existo ou não...)
Este post foi um dos melhores que escrevi. Não sei bem porquê, saem-me bem os posts, quando o sonho que estou a ter reveste a forma de "Privada, o bacoco".
Que bom, privada, espero que quando eu morrer fique assim também, morta de riso
Era o que faltava! Declaro, atesto e protesto que este post escrevi-o eu, na minha décima quarta ascensão à dimensão da morte. Estava com um pé lá e outro cá, por isso a imperceptibilidade concreta e absoluta. Mas isso o que interessa se seremos sempre amigos?!
Confessa tu agora, estragaste-te, não foi?
Confesso que essa foi boa.
Só tenho um comentário: Fodassssss.
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