07/09/2010

II - O privilégio do assassino e das suas vitimas

O assassino, bem como as vítimas da morte perpetuada por este, tem o privilégio de sentir a vida, por uma perspectiva, a que só uma ínfima minoria tem acesso. A experiencia que resulta desta duplicidade de sentimentos permite a toda a humanidade a evolução.

Que prazer há em ser privado da liberdade?
E quantos encenam a sua prisão, reduzindo o seu universo de contactos a uma dezena ou menos, de outros condenados, e vivem em sua casa privados de cometer os actos que realmente a vontade lhe impõem, como se a prisão que criam fosse em suma a protecção moral da sua natureza?

A diferença entre o assassino, e a maioria, é que este exalta a natureza, não distinguindo a vida da imaginação que temos dela. O assassino pede à sociedade a sua condenação e esta concede, é a natureza e não há nada de estranho nisso. Dessa experiencia social resulta saber, que transita e molda a evolução do Homem.


Que prazer existe em perder uma pessoa?
E quantos encenam a perda de pessoas, deixando de estabelecer qualquer contacto, e sofrendo ao longo da existência com isso? Ademais, porque é que a vida há-de ser prazer, se são as experiencias brutalmente dolorosas que marcam a eternidade e fazem o saber das futuras gerações?

Perder um filho, um familiar, às mãos de um assassino, será uma experiencia, um episódio na esfera da nossa eternidade, que exige tudo o que um Homem tenha para dar.
Infelizmente não tem o Homem ao seu dispor episódios felizes que lhe proporcionem ou que lhe exijam tudo o que ele tem para dar. Morre sereno, mas morre ingénuo. A maioria pretende morrer cobarde, sem passar por momentos que lhe congestionem a individualidade.

Com certeza, que perante o acto do assassino, a vitima colateral do acto, verifica que a qualquer momento poderia ser também um assassino, ou mesmo alguém que consegue deter um assassinato dentro de si mesmo. Todas as natureza existem no homem, só as experiencias trágicas lhe permitem a eternidade, será?

5 comments:

marta disse...

Podes crer!
Sempre disse que se alguém matasse um dos meus filhos, ou violasse e se não tivesse uma condenação exemplar eu poderia matar.
Sei que sim, que tenho dentro de mim um assassino.
Todos temos dentro de nós o que de pior existe na humanidade. Eu pelo menos tenho e tenho essa consciência.

mac disse...

Todas as naturezas existem no homem?
Sim, estou convencida disso.

Só as experiências trágicas lhe permitem a eternidade?
Não.

Privada, o bacoco disse...

Para existir mudança, há que acabar algo, o fim é sempre tragico.

Eu tbm Marta.

mac disse...

Mas que mudança?!? Não existe nenhuma mudança, todas as naturezas já existem no homem.

Para mim, privada, tragédia é sinónimo de impotência, não poder mudar as coisas por muito que se queira e se faça por isso.

O fim? Nunca é trágico, é apenas disruptivo.

privada disse...

no querer mudar é que está o interesse, bem Mac, tu superiorizas-me, terei ke pensar nisto com calma, para dar uma resposta a altura, aconte, que hoje, raios, hoje vou ter msm que fazer outras coisas.