- Espera, eu ajudo. Pousa a cruz.
- Esta cruz é minha.
- Que invejoso, que tu és, meu. Posso acompanhar-te?
- Eu vou para o Calvário...
- Eu também vou para esses lados.
- Vais para o Calvário e não levas uma cruz?
- Oh pá, não consigo materializar a cruz, é uma cruz mental, não dá para saber onde ela termina e onde começa, se é ferro se é pau. Já estive para comprar uma e grafita-la com o meu nome, uma acrílica daquelas porreiras.
- Não há nada como a madeira de castanho, Privada.
- Como foi a tua vida? Tirando as parábolas e isso... cenas mesmo reais, tipo as duvidas, com essa idade tinhas muitas dúvidas, certo?
- A minha vida não foi nada de especial.
- Não, fala sério, meu! Tu foste um felizardo, a tua vida foi um estrondo.
Conseguiste ser livre, filosofar, delirar, sem te transformares em um sem-abrigo. Ate o pão te caía do céu. Quero ser como tu, mas em vez de pão, qualquer coisa mais substancial, tipo sucatas. Tens que me contar o segredo.
- Bem, vê-me como uma espécie de Pulido Valente, mas sem imagem.
- Condenar PV ao crucifixo não me parece bem. Alguém do povo, tipo um engenheiro, o Pulido Valente não é um bom exemplo.
- Os engenheiros inventaram as pirâmides, certo?
- Não, mas construíram inúmeros monumentos em tua homenagem.
- Ya, se tivesse durado 2009 anos, hoje tinha um império.
- De facto, se não fosse a justiça podias estar rico. Tenho que ir andando, tu caminhas muito devagar, acho que vai chegar o próximo milénio, e tu ainda vais a meio do caminho.
- Não tenhas pressa, Privada. Aparece, caminhamos para o mesmo lugar.
- Mas espero que da próxima te encontre uns metros mais à frente. Numa estrada de piche, pelo menos. Sujei os meus Nike todo neste lamaçal. Se o Porto fosse assim, andava de galochas..
- O lugar onde me encontras é sempre o lugar onde me procuras.
- Ei fogo, muda as parábolas, isso já tem mais de 2000 anos, para a próxima, ensino-te umas fixes.
- Vai Privada, boa viagem.
- A gente encontra-se, tem cuidado, anda aí uma criminalidade, ainda de roubam a cruz para sarrafos.
- Para sarrafos? Como assim já não fazem fogueiras?
- Não meu, agora o calor vem do ar condicionado.
- A sério, então e o Diabo já sabe disso?
- Não o tenho visto, mas é bem provavel.
- Fogo, não me digas que vou ter que trocar a cruz por um aparelho.
- Pois, não estou a ver o Diabo atras de ti para te roubar lenha, a esta hora o Inferno está todo automatizado. Queres que te deixe o meu MP3, é capaz de ter mais interesse para ele do que a cruz.
- Tenho um Ipod , Privada, agora essa do ar condicionado no Inferno é que não me tinha ocorrido. Raios partam isto, andei 2000 anos com ela e agora passa assim de moda?!
- Mas olha a batina está porreira, usa-se na mesma, e o penteado. E se formos a ver a imagem é tudo. A gente encontra-se, Cristo. Vou indo, segue bem meu, e larga isso, arranja uma caldeira.
- Um caldeira, onde vou arranjar uma caldeira. Fogo, só me dais problemas, actualizações, actualizações, estou farto, qualquer dia fico-me pelo rendimento minimo! Cambada de socialistas.
3 comments:
Hahahaha!!! Já pensaste em pedir emprego ao RAP? Tás no ponto, meu. Gandaganza!
ó pá, é de pecar por mais, santa loucura!
prà mim, uma em titânio, faxfavor.
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